Atordoadas pelo pavor generalizado em torno da crise, as empresas têm nos perguntado o que fazer neste momento e como as organizações estão se preparando para este novo cenário. Temos afirmado que, apesar do perigo intrínseco, a crise também oferece inúmeras oportunidades que devem ser aproveitadas…
Nossas recomendações para os nossos Clientes têm sido as seguintes:
- Fazer as melhores escolhas, e exercitar a virtude igualmente importante de renunciar – nossa definição preferida de Estratégia. Reveja o escopo do negócio para assegurar foco e barrar a tendência comum de querer ser tudo para todos os tipos de clientes. Selecione melhor as oportunidades de mercado a explorar; as fraquezas competitivas a minimizar; os processos a otimizar; as tecnologias a implementar; as competências a desenvolver; e as pessoas a contratar. Privilegie com disciplina o que tem contribuição significativa para a geração de valor. É impressionante como as empresas têm dificuldade de priorizar – inclusive as que estão acostumadas com prosperidade.
- Respeitar com rigor regras de governança para disciplinar as decisões de investimentos. Aplique regularmente critérios consistentes para ranquear os investimentos e amparar decisões de aprovação, suspensão temporária e abandono. Porém, investir menos não significa apostar nas opções mais baratas, que não necessariamente geram mais valor. Mas sim, investir em um número menor de opções para concentrar-se no foco da geração de valor do negócio.
- Criar senso de urgência para mudanças que andam tímidas ou em inércia de repouso. Aproveite um grande benefício desta crise: um argumento autêntico para mobilizar as pessoas visando encontrar saídas criativas para problemas aparentemente impossíveis. Compartilhe o desafio com os Colaboradores e envolva-os na criação de soluções eficazes. Valorize a eficiência e a excelência de gestão. Reduzir custos fixos e variáveis e otimizar processos são desafios constantes, ainda mais em tempos de crise e incerteza.
- Descobrir o poder oculto do óbvio. Identifique produtos, serviços e diferenciais já existentes, lucrativos e evidentes, mas pouco explorados que podem ser intensificados para rapidamente gerar receitas e reter clientes. Ao mesmo tempo, pense “fora da caixa” para inovar o modelo do negócio e quebrar paradigmas.
- Ser criterioso na concessão de crédito para vendas a prazo. O desemprego pode aumentar e a renda disponível ao consumo das pessoas será limitada. Se a sua empresa possui crédito de fornecedores estrangeiros, é provável que as matrizes pressionem suas filias ao redor do mundo para repatriar seus dividendos. Prazos de fornecimento serão restritos e haverá riscos de desequilíbrio no capital de giro.
- Observar a emergência dos verdadeiros talentos. Em momentos de crise, identificamos claramente as pérolas ainda não descobertas na organização. Bons gestores não são competentes somente em tempos de prosperidade, mas também são criativos, engajados e eficazes nos momentos de falta. Reter talentos e motivá-los torna-se mais importante do que nunca.
Há anos aprendemos que as turbulências do dia a dia não podem servir de justificativa para não encontrarmos tempo de qualidade para pensarmos no que estamos fazendo e como fazermos diferente. Em momentos de crise, a paralisia do pensamento estratégico e do movimento evolutivo em torno do “esperar para ver” pode ser um tiro pela culatra – pelo aumento do risco de congelamento e dissonância competitiva.
Conservadorismo e cautela são atitudes fundamentais em momentos de crise. Mas, cair na depressão e na histeria coletiva pode criar camisas de força perigosas para o processo criativo e decisório, além de favorecer decisões prematuras que podem comprometer a continuidade da empresa, mais do que a própria crise em si. Consciência do perigo e da gravidade do momento atual é vital, mas igualmente sabedoria para fazer as melhores escolhas, proporcionada pelo processo estruturado de planejamento estratégico. Assim, sairemos fortes e sólidos desta crise.
E a sua empresa, como tem se defendido da crise? Como vocês estão conduzindo as decisões neste momento? Quais são suas opiniões sobre este tema?
Grande abraço,
Fernando Luzio
CEO
Luzio Visão Estratégica Holística
O jornal Wall Street Journal publicou recentemente um artigo bastante interessante (4 de dezembro de 2008) sobre os movimentos do Google de revisão da sua Estratégia diante da retração da economia mundial (Google Gears Down for Tougher Times).
O artigo é uma ilustração real e extremamente apropriada da recomendação número 1 que fiz nest post “Estratégia para se Defender da Crise”. Os autores Jessica E. Vascellaro e Scott Morrison revelam o esforço do Google de ser mais criterioso nas suas escolhas e mais severo nas suas renúncias:
“A austeridade está atingindo até mesmo uma das empresas que faziam gastos mais extravagantes nos anos de vacas gordas. O Google começou a apertar o cinto.”
“(…) A empresa vai cortar projetos que realmente não pegaram e não são tão empolgantes, diz ele (Eric Schmidt, CEO). (…) No mês passado, a companhia eliminou o SearchMash, site que usava para experimentar novas maneiras de organizar os resultados das buscas. Este mês planeja fazer o mesmo com o Lively, um “mundo virtual” lançado em meados deste ano, onde os usuários podem criar personagens e espaços para curti-los. O Google explica que deseja “priorizar nossos recursos e nos concentrar mais no nosso negócio central, de busca, anúncios e aplicativos”.
“(…) Dentro da empresa, era considerado uma grosseria perguntar se algum projeto iria, finalmente, dar dinheiro, dizem engenheiros de produção, tanto atuais como antigos. O critério principal era saber se uma nova idéia seria boa para a experiência on-line do usuário. Essa cultura que aceitava qualquer tipo de empreendimento acabou gerando milhares de projetos (…).”
“(…) Fracassos não tinham muita importância quando o dinheiro rolava solto (…)”
Até mesmo a gigante Google, diante da crise, tem se defendido priorizando melhor os projetos mais atrativos para a empresa e fazendo não escolhas, abandonando projetos que adicionam complexidade, gastos e não agregam valor ao negócio central.
Um grande abraço,
Fernando Luzio
CEO
Luzio Visão Estratégica Holística